O salão parecia muito maior agora que me encontrava sozinha, em meio a tantas pessoas, desconhecidas e portando tais máscaras. Por um instante senti medo, mas então percebi que não era medo, mas sim uma sensação nova. Nunca havia ficado só, perto de tantas pessoas que eu desconhecia. Primeiro, meu pai. Agora, Antony, meu marido. Eu estava sempre rodeada, observada. Mas não hoje. O baile estava cheio e agora que Antony havia saído para cumprimentar alguns duques e cavalheiros importantes, eu me via livre.

Decidi então, pegar uma taça de champanhe, mas andar em meio à multidão, com um vestido de mais de vinte quilos não era uma tarefa fácil. As pessoas dançavam, e eu apenas pensava em como deviam estar se divertindo, enquanto eu as observava, e sorria para cada homem que meu marido me forçava a conhecer. Casais dançando, bebendo. Então retomo a ideia de pegar o champanhe. Ando até avistar um serviçal portando uma bandeja com taças. Escolho uma e faço um sinal de agradecimento com a cabeça.

Quando volto a cabeça para a posição normal, avisto um cavalheiro que eu ainda não havia notado. Ele usa uma máscara pequena, escura, sem muitos entalhes. Os cabelos não chegam aos ombros, mas são voltados para trás, de cor escura. Consigo ver seus olhos apesar da máscara, e vejo como possuem uma linda tonalidade de verde, que faz com que eu perca mais tempo com eles do que o planejado, e quando consigo desviar o olhar destes, percebo que ele me encara de volta. Desvio. Mas quando retomo, ele ainda mantém os grandes olhos verdes em mim. Sua boca não se mexe, apenas fica entreaberta, exibindo seus belos lábios carnosos. Sua aparência me hipnotiza, e a maneira como olha para mim, é completamente diferente da qual qualquer outro já olhou.

Levo a taça aos lábios, ainda com os olhos no homem sedutor que chama tanto minha atenção, e então dou alguns passos para o lado oposto de onde ele se encontra, tentando desviar qualquer contato visual ou corporal que antes tínhamos ou podíamos ter. Observo o salão, procurando Antony sem querer encontra-lo. Adorava a nova sensação. Da liberdade. Do flerte. Distraída, ando mais um pouco. E então, sinto um leve esbarrar em meu ombro direito. Viro-me, e me deparo com o cavalheiro. Um pouco mais próximo do que uma distância confortável. Ele olha em meus olhos. Oh, aqueles lindos olhos verdes. Pega minha mão com tamanha delicadeza, se curva, e a beija. Seu toque faz meu corpo formigar, e o beijo, meu coração disparar. Ele ergue a cabeça novamente, sem soltar a minha mão. E com a outra, pega a taça que eu havia esquecido completamente, e a coloca sobre uma mesa próxima de nós.

Sem desviar o olhar, ele puxa-me para mais perto de onde a maioria dos casais dança. E começa então, a adequar seus movimentos ao ritmo da música. Vejo-me obrigada a acompanhá-lo, apesar de não achar isso nada ruim. Nossas mãos se alternam, e cada vez que o toco, meu corpo estremece, como se um raio atingisse meus dedos e se espalhasse por todo meu corpo. Nossos olhares ainda estão conectados, e eu não quero ter que tirar meus olhos dos dele tão cedo. Nossos movimentos estão em perfeita sintonia, quando me dou conta da minha situação.

Sou casada. Estou nesta festa com meu marido, que deve estar a minha procura neste momento, e me encontro aqui, dançando, com um estranho mascarado. Mas admito que foi o melhor sentimento que já tive. Obrigo-me então a me afastar, deixando o cavalheiro sozinho dentre os casais. Procuro uma saída, para qualquer lugar que fosse longe daquele incrível homem. Vejo uma porta, e a atravesso, chegando a uma linda sacada, iluminada por lindas tochas, e pela luz da lua e das estrelas. Tento colocar meus pensamentos no lugar e deletar tudo que acontecera minutos atrás. Porém, ouço passos, e sei que são do homem misterioso. Sinto sua respiração perto de meu pescoço, e seu toque em meu ombro nu. Aquilo já era demais. Mas eu não estava satisfeita. Queria mais. Nunca quis mais, nem de meu próprio marido. Mas agora eu queria mais. De um homem que eu nem conhecia. E então, como se escutasse meus pensamentos e desejos profundos, ele segurou minha mão enquanto encostava os lábios quentes em meu pescoço. Eu tive mais.

Isabel Fortunato

08-09-14

10/Sep/14 - 17:37 Hours - Reblog - With 0 notes

Tem sempre aqueles dias, em que tudo parece te deixar sem forças, sem vontade de ver o mundo e cada suspiro representa uma dor interior. Nesses dias, tudo o que desejo é que algo chegue até mim trazendo a paz pela qual eu sempre procuro. Quando você acredita que nada está te fazendo bem e que talvez você não sirva para nada daquilo que te mandam fazer, tudo parece inútil e o desejo absurdo por agradar os outros mais do que a si mesmo te sufoca, você vê alguém, mais do que algo, alguém que te traz aquela paz pela qual você tanto procurou. A paz de pensar que ainda existe alguém no mundo que faz o que ama. A paz que te faz pensar que ainda existem pessoas que sentem e pensam como pessoas e tem suas próprias ideias. Na verdade, pessoas com ideias próprias ainda não estão em extinção, mas um grupo seleto dentre essas pessoas chama a minha atenção. Os que pensam por si mesmos  e mais do que isso, os que tem lindos pensamentos. Os que sentem e expressam o que sentem, mesmo que para poucos ou quase ninguém. Ah, como são privilegiados aqueles que têm acesso a esses belos pensamentos. Aqueles, vulgo, nós, eu. Agradeço esse privilégio. Poder presenciar uma pessoa assim, dizendo o que pensa e sente de qualquer modo que seja, é uma benção para poucos. Se pararmos para olhar, a maneira como fazem aquilo que gostam nos contagia, nos deixa sem palavras mas com muitas emoções. Sei que parece um tanto quanto clichê, mas os olhos destes são os mais belos em termos não-físicos. Ver o olhar deles, ao fazerem o que amam deixa qualquer um que se digna a prestar atenção, emocionado. Tenho a sensação de que enquanto eu os assisto, nada mais importa para eles, que tudo parece bobagem quando o que estão fazendo vale mais do que qualquer outra coisa. E então vem a esperança. Se eu pudesse apenas ficar assistindo-os o dia todo, talvez esse fosse o meu ponto de paz. Onde eu poderia relaxar e apenas contemplar o amor de uma pessoa por algo, ou alguém. Aí, você esquece o quanto a vida pode ser cruel, porque no momento está só pensando em como ela é fantástica. Como as pessoas com mentes pensantes são fantásticas. E talvez, no final desse texto, eu pense que além de fantástico, pensar é assustador. Mas talvez eu ame isso, então decido correr o risco. Talvez ser apaixonado por algo seja um risco. Mas garanto que é um risco que vale a corrida. Como sei que vale a pena? Andei observando uns apaixonados por aí.

Isabel Fortunato

05/09/2014

10/Sep/14 - 17:35 Hours - Reblog - With 0 notes
5 days ago
Eu queria dizer que eu sempre admirei você Isa. Desde o primeiro dia que eu te conheci, você foi sempre muito otimista. Sempre tentou achar a melhor maneira de superar as coisas e eu sempre achei isso demais. Hoje em dia eu também tento ser otimista mas eu me sinto estranha. Eu estou acostumada a ser pessimista e quando eu tento ser otimista, parece que eu incorporei outra pessoa. E eu fico chateada quando eu vejo alguns de seus tweets. Eu espero que você esteja bem...- Anna

Volte sempre, sttilinskin.

Eu sinceramente fico muito feliz por ter algo admirável pra voce, e que voce tente ser mais otimista, e muito obrigada pela sua preocupação, mesmo até quando ninguém parece se importar. Mas eu to bem sim, nao todos os dias, nem feliz com todas as coisas, mas to bem, ou melhorando… Espero que voce tambem esteja, amo muito voce anna

10/Sep/14 - 17:32 Hours - Reblog - With 0 notes
5 days ago
hey there

Volte sempre, Anonymous.

heey

10/Sep/14 - 17:30 Hours - Reblog - With 0 notes

(Source: waiting-to-sleep, via livingoffcourage)

10/Aug/14 - 0:23 Hours - Reblog - With 217793 notes

Emma Watson for Wonderland

(Source: xanis, via wolfstrk)

10/Aug/14 - 0:21 Hours - Reblog - With 114249 notes

Behind the scenes of Taylor’s Keds Photoshoot

(Source: theswiftsource, via eyesopen)

10/Aug/14 - 0:21 Hours - Reblog - With 1308 notes

willworkforkurt:

#idk i feel like there’s some kind of symbolism going on here  #but i can’t figure it out #it’s so subtle

(via livingoffcourage)

10/Aug/14 - 0:21 Hours - Reblog - With 2022 notes

É incrível pensar em como o desejo frenético por ser aceito afeta a maioria das pessoas. E péssimo pensar que muitas dessas pessoas não são bem aquilo que dizem ser, mas sim o que querem que elas sejam. Muitos culpariam talvez a mídia, que influencia a população no geral, a ser sempre do mesmo jeito. O jeito que eles acreditam ser o certo. Mas o peso não deve ficar apenas em cima dela. As pessoas são quem elas decidem ser. As ideias alheias só são absorvidas por mentes fracas. E sim, todos nós somos influenciados. Ninguém é como gostaria de ser, cem por cento do tempo. Fazemos coisas absurdas para agradar os que estão ao nosso redor, e nem paramos para pensar se tal ato faz parte de quem nós somos ou de quem a sociedade exige que sejamos. As aparências importam tanto, que os pensamentos individuais, as ideias, a maneira de pensar, muitas vezes são deixados de lado, pelo insensato medo do que os outros pensarão. Quantas palavras não são ditas, quantos amores são esquecidos, quantas piadas são feitas, apenas para se adentrar aos padrões do esperado? Milhões. O que você é quando está sozinho? O que você quer ser. O que você é. O que você é quando está com outros? O que querem que você seja. É incrível pensar que a imagem que os outros terão de nós nos incomoda mais do que quem realmente somos, e como fazemos de tudo para que estejamos dentro dos padrões aceitáveis. A máscara diária nos faz esquecer quem somos quando estamos sem ela. E cada dia mais, nos perdemos entre as mil identidades que criamos para nós mesmos. Será que um dia poderemos ser o que quisermos sem que alguém olhe em nossa direção e julgue o que quer que sejamos? Ou será que um dia seremos completamente engolidos por nossas personalidades alternativas até que nos perdemos inteiramente de tudo o que fomos um dia?

Isabel Fortunato

10/08/2014

10/Aug/14 - 0:17 Hours - Reblog - With 0 notes

Somos rodeados por 7 bilhões de pessoas. Entre elas, existem as poucas nas quais devemos confiar, e as muito poucas em que nos inspiramos, e as quais admiramos. Se for pra falar de defeitos, enchemos a mente de pensamentos e rancores e nos recordamos de todas as coisas que nos fizeram chorar, sentir raiva. Tudo que nos magoou e que não nos agrada flui rapidamente pelos lábios, sem pensar duas vezes. O mais difícil, é falarmos sobre as coisas boas. Sobre as coisas e pessoas que admiramos. Sobre o que nos faz aguentar qualquer mágoa, ao invés de deixar para trás. O tipo de pessoa que não te faz rir quando você chora, porque sabe que mais tarde o choro volta, e sim, o tipo de pessoa que te ampara e deixa de sorrir por um momento para nos dar uma palavra de carinho, um abraço apertado, um conselho de amigo. Admiro quem consegue olhar além de seu próprio umbigo pra pensar em como os outros se sentem. Quem procura não julgar nenhum de seus atos por mais errados e embaraçosos que sejam. Aqueles com quem você briga, mas sabe que nada vai mudar. Eu admiro o tipo de pessoa que luta contra os mais temíveis monstros, mas está sempre com a cabeça erguida e o escudo abaixado, tendo a coragem, para não se esconder deles, e sim, enfrentá-los de peito aberto. Admiro quem passa por tudo, e continua firme, em pé, sem desistir. Aqueles que sorriem apesar de tudo, e deixam seus problemas, preocupações, de lado, pra ouvir um amigo angustiado. É difícil de se falar sobre os pontos positivos, sendo que os negativos são muito mais perceptíveis. Mas apenas aos que não prestam muita atenção. Os que sabem, conhecem e se interessam, veem mais do que a maioria. Se inclinam mais a saber, a perceber, a sentir, e como consequência, a amar. Eu procuro perceber, entender e conhecer, e no final de tudo, procuro amar e melhorar em mim mesma, tudo o que admiro nas pessoas ao meu redor. Acredito que aprendamos com nossos erros e defeitos, e mas talvez mais ainda, com os acertos de alguém que nos chama a atenção. A admiração nos faz mudar. Nos faz querer ser melhor, e então, nos faz melhor. 

Isabel Fortunato 

09/08/2014

9/Aug/14 - 12:53 Hours - Reblog - With 0 notes